domingo, 2 de julho de 2017

Os quadrinhos de Caverna do Dragão



Em 1983, a Marvel Productions lançou uma adaptação animada do primeiro RPG de mesa da história, Dungeons and Dragons. A empresa foi formada em 1981, após a Cadence Industries Corporation (dona da Marvel na época), comprar o estúdio DePatie-Freeleng.

A série foi criada após a CBS recusar o projeto Sword and Sworcery da própria Marvel Productions, a solução foi conseguir uma licença com a TSR Inc, a editora ainda lançaria adaptações de Conan, tanto em adaptações para D&D (1984), quanto em um sistema próprio (1985), na época, licenciado pela Marvel e Marvel Super Heroes RPG (1984), que usava um sistema próprio chamado FASERIP system.

A série teve 27 episódios distribuídos em 3 temporadas.

Nos Estados Unidos, a série gerou diversos produtos licenciados, exceto revistas em quadrinhos, embora em 1981, a própria Marvel havia publicado anúncios do RPG Dungeons and Dragons em forma de páginas de quadrinhos (assim como ocorreu com G.I. Joe, que anos depois, ganharia uma revista pela própria Marvel).



Em 1985, a série foi lançada na Espanha, sendo exibida pela Televisión Española (TVE) com o título Dragones y Mazmorras, isso permitiu que o RPG fosse publicado no país pela Dalmau Carles Pla, que publicou uma versão do Basic Rules Set de 1983 e do jogo de tabuleiro Quest for Dungeonmaster, jogo baseado na série animada lançado pela própria TSR em 1984.

Além disso, a TVE licenciou uma revista em quadrinhos pela editora Forum, as histórias não podiam avançar e eram quadrinizações dos 27 episódios (ou seja, foram publicadas apenas 27 edições entre 1985 e 1986), os roteiros foram adaptados por Francisco Pérez Navarro (tradutor e roteirista de quadrinhos), com desenhos de Pascual Ferry, Francisco Javier Montes, Juan Bernet, Eloy Garijo, Bernardo Serrat e Ramón González, anos depois, Ferry iria trabalhar para o mercado americano, desenhando personagens como Quarteto Fantástico, X-Men e Adam Strange.







Os quadrinhos da Forum ainda foram publicados pela Marvel UK (extinta divisão britânica da Marvel).




Também teve uma série de seis livros ilustrados publicados pela editora Timun Mas, uma outra editora com título relacionados com RPG, os desenhos são creditados a Ángel Julio Gómez de Segura Beaumont, conforme comentei em outra postagem, o artista fundou um estúdio nos anos 70 e foi responsável por versões em quadrinhos de desenhos animados. o formato do livro lembra os quadrinhos, cada página contem duas ilustrações e textos, alguns até mesmo com balões de diálogos.


Em 1996, a TSR publicou uma HQ Forgotten Realms: The Grand Tour os personagens aparecem envelhecidos, Forgotten Realms é um cenário de D&D, na série de TV, o lugar onde a série se passa é chamada apenas de Realm (O Reino).




No Brasil, a série estreou em 1986, sendo exibida pela primeira vez no Xou da Xuxa da Rede Globo, diferente da Espanha, os RPGs não vieram junto com a exibição da série, os RPGs chegaram ao país nessa época, mas era um hobbie restrito aos sabiam ler inglês, livros e fichas fotocopiados eram distribuídos entre jogadores, essa geração ficou conhecida como Geração Xerox.


O primeiro RPG traduzido oficialmente foi GURPS (Generic and Universal Role Playing System) da Steven Jackson Games, publicado em 1991 pela Devir Livraria, nesse mesmo ano, é lançado o primeiro RPG brasileiro, Tagmar.

A série foi exibida pela Globo durante anos, contudo, houve um hiato entre a segunda e a terceira temporada, quando voltou, a série teve uma troca de dubladores, esse hiato criou um mito sobre o final da série, hoje sabe-se que ela não teve uma conclusão. Uma outra lenda era que os personagens teriam morrido (estando no inferno ou no purgatório, dependendo da versão).


Em 1993, Dungeons Dragons foi lançado pela fabricante de brinquedos Grow, a empresa ainda publicou uma versão de  Quest for Dungeonmaster como "À Procura de Dungeonmaster - Uma Aventura com a Turma da Caverna do Dragão", não sabe ao certo se a Grow publicou junto com o primeiro D&D. A empresa ainda publico Classic Dungeon e DragonQuest, que ainda mantinham características de jogos de tabuleiro, embora se encontre fotos do jogo, não há indicações de datas.

Em 1994, a Estrela lançou outro produto similar HeroQuest

 Conforme vemos em vários exemplos, tradutores de diferentes de mídias raramente procuram  conferir outros trabalhos, o Dungeon Master no jogo é o que conduz, há diversos nomes usados como narrador, mestre de jogo, entre outros, na série animada, como os tradutores não tinham referencia do jogo, ficou como Mestre dos Magos, a Grow manteve o nome original (a grafia errada foi mantida conforme o jogo da TSR). Tal qual aconteceu com cowboy mascarado Lone Ranger, os tradutores tiveram dificuldade em usar tradução para o termo ranger, a classe de Hank, que foi chamado de arqueiro e até mesmo guarda, thief, a classe de Sheila, significa literalmente ladra, foi usada na dublagem e também pela Grow, atualmente, o termo ranger é mantido e thief é traduzido como ladino ou ladina. a classe também pode ser chamada de burglar, scoundrel ou rogue, rogue gerou outro problema de tradução, de acordo com Jotapê Martins, tradutor de quadrinhos, rogue teriam muitas traduções, ao escolher a tradução para a personagem Rogue da Marvel, Jotapê escolheu Vampira, uma vez que ela podia roubar os poderes de outros personagens, curiosamente, tanto a Vampira, quanto a Sheila foram dubladas por Fernanda Baronne, filha da primeira dubladora da Sheila, Marlene Costa.




Em 1994, surgem duas revistas informativas, a primeira era a Revista Herói, publicada em conjunto pelas editoras Acme e Sampa e a Dragon (mais tarde renomeada Dragão Brasil).


A primeira surgiu quando o jornalista André Forastieri planejou uma revista similar a Set Terror e Ficção, a revista mudou um pouco com algo inesperado, o lançamento do anime Os Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya) na Rede Manchete, a Dragon era uma revista de RPG criada por Marcelo Cassaro após sair da Editora Escala, sua mudança de nome foi causada por outro lançamento, a Abril Jovem, selo da Editora Abril conseguiu a licença da TSR para publicar a Advanced Dungeons Dragon, a revista Dragon, o jogo de cartas Spellfire (um concorrente de Magic the Gathering). Rogério Saladino, ex-editor da revista Dragon entrou para a Dragão Brasil, formando com Cassaro e JM Trevisan, o chamado Trio Tormenta, nome dado a um cenário criado em conjunto pelos três.

Com o tempo, a Abril acabou fazendo um acordo com a Trama, que publicou anúncios dos produtos da mesma, contudo, as publicações foram canceladas.

A revista Herói afirmava não poder fazer uma matéria sobre a série animada na época, afirmando não possuir imagens de divulgação, já a Dragão Brasil citava o desenho desde a primeira edição (uma forma de exemplificar para novos jogadores), em sua edição 9, publicou uma matéria, adaptação para D&D por Roberto Morais, e um guia de episódios (na verdade, apenas os 19 primeiros). De fato, não havia imagens de divulgação de boa qualidade, a revista publicou fotos tiradas da televisão.

Em 1997, a Wizards of the Coast (dona do jogo de cartas Magic the Gathering) adquiriu a TSR.

Somente em 1999, a revista Herói 2000 (publicada pela pela Conrad, nome adotado pela Acem) publicou uma matéria de Pablo Miyazawa com imagens de divulgação, Miyazawa entrevistou o roteirista Michael Reaves, que contou que a série foi cancelada e que ele escreveu um episódio numa animado chamado Requiem, que terminaria com um cliffhanger (gancho) para uma nova temporada. Reaves disponibilizou no site dele, uma versão do roteiro. Nese mesmo ano, um internauta brasileiro conhecido como Mushi-San, começa a publicar sobre a série em seu site no extinto serviço de hospedagem Geocites, criado em 1994 por David Bohnett e John Rezner, foi comprado em 1999 pelo Yahoo! e desativado dez anos depois no Ocidente (embora ainda exista no Japão), Mushi migraria para um outro servidor e manteria um blog até os dias atuais:

Caverna do Dragão/Mushi-San Geocities - via Internet Archie


Portal Mushi-san




Em outubro de 2000, a revista Dragão Brasil voltou a falar da série, dessa vez com imagens de divugação, na edição 66, JM Trevisan adaptou o roteiro para as páginas da revista, tendo o site de Mushi como fonte, a adaptação foi publicada em duas partes, na edição 68, uma nova adaptação por Rogério Saladino para os sistemas 3D&T (criado por Cassaro) e D&D.

Em 1999, a Devir Livraria republicou Advanced Dungeons & Dragons, em 2001, publicou a terceira edição de Dungeons & Dragons (lançada no ano anterior). A terceira edição trouxe uma mudança que alteraria a adaptação da ficha de Diana, a acrobata. A sua classe na verdade era thief-acrobat (uma subclasse de ladino), embora o Mestre dos Magos chamasse apenas a Sheila de thief, a classe foi introduzida por Gary Gygax (cocriador de D&D), na revista Dragon 69 (janeiro de 1983), a série animada estreou em setembro do mesmo, tendo o próprio Gygax era coprodutor da séria animada. Porém, com a terceira edição do D&D, a classe se tornou uma classe de prestígio, uma classe que não pode ser acessível no primeiro nível, o personagem precisa cumprir algumas exigências, a personagem foi homenageada no sistema, uma personagem chamada Diana aparece como exemplo da classe. A solução seria coloca-la como monja, monge é um classe inspirada nos monges lutadores orientais. Em 2003, a revista O Universo Fantástico do RPG da editora Camargo & Moraes trouxe uma adaptação com essa solução.

Em 2006, a Ink & Paint lançou um box de DVD da série animada, nele vierem alguns extras, como uma adaptação oficial da série para D&D 3.5 (já com essa mudança de classe da Diana), Dungeons & Dragons 3.5 – Animated Series Handbook, produzida pela própria Wizards of the Coast e uma sonora do episódio Requiem, no mesmo ano, a Dragon Slayer, publicada pela Escala, trouxe uma adaptação por Marcelo Cassaro, influenciada pela adaptação do box.




Em 2010, o ilustrador Reinaldo Rocha publicou uma quadrinização do episódio Requiem, sendo inclusive traduzido para o espanhol. Anteriormente, houveram tentativas de se criar uma versão animada, dentre elas, o fanfilm de George de Luca.




Para ler acesse o blog Geek Cafe

Caverna do Dragão: O grande final em quadrinhos!



 Entrevistas de Michael Reaves e George de Luca (legendada)

Canal de George de Luca no Youtube

Referências


Roberto Morais. "Especial Caverna do Dragão". Dragão Brasil #9. Trama Editorial, 1994

Pablo Miyazawa. "O final de Caverna do Dragão". Herói 2000 #3. Conrad Editora, outubro de 1999

Michael Reaves e JM Trevisan (adaptação). "Requiem - O Verdeiro final de Caverna do Dragão". Dragão Brasil # 66. Trama Editorial, outubro de 2000

Michael Reaves, JM Trevisan (adaptação), Silvia Rodrigues (tradução). "Requiem - A segunda parte do final de Caverna do Dragão". Dragão Brasil #67. Trama Editorial, novembro de 2000

Rogério Saladino e Roberto Morais. "Os heróis de Caverna do Dragão". Dragão Brasil (68). São Paulo, Brasil: Trama Editorial, janeiro de 2001

Fábrica de Aventuras. "Caverna do Dragão". O Universo Fantástico do RPG (2). Barueri, São Paulo, Brasil: Camargo & Moraes Editora, 2003
Marcelo Cassaro. "Caverna do Dragão - A aventura favorita dos RPGistas completa 20 anos de exibição no Brasil". Editora Escala. Dragon Slayer #9, 2006
Sérgio Peixoto. Dungeons and Dragons ou Caverna do Dragão». Revista Clube dos Heróis #10, 2011


35 anos de D&D – As edições de Dungeons & Dragons (Parte 3 de 3)

Uma Breve Explicação sobre as Diversas Versões de D&D

Dungeons and Dragons - Dragones y Mazmorras  (Forum) - Tebeosfera

Dungeons and Dragons - Dragones y Mazmorras (Timun Mas) - Tebeosfera


Comics Forum - Dungeons & Dragons cartoon encyclopedia

Reinaldo Rocha Portfólio

Summer Special - Dungeons & Dragons cartoon encyclopedia


Forgotten Realms: The Grand Tour Dungeons & Dragons cartoon encyclopedia


Revistas de RPG No Brasil – Relembrando!

D&D 40 anos – A Origem (não tão) Secreta de D&D


D&D 40 Anos: A História do AD&D


穴と竜: conheça o D&D japonês

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