sábado, 11 de fevereiro de 2017

Superman por Jijé




Em abri de 1938, a editora belga Dupuis lançou a revista Le Journal de Spirou, a série principal era Spirou, personagem criado por Rob-Vel, publicando também séries americanas de Dick Tracy de Chester Gould, Rei da Polícia Montada, ilustrada por Allen Dean, com roteiros de Stephen Slesinger e Romer  Grey, filho do escritor de faroeste Zane Grey, Slesinger havia conseguido a licença para usar o nome do escritor, dando impressão de ser uma criação do mesmo.

Em 1939, a editora começou a publicar Superman por Jerry Siegel e Joe Shuster e Red Ryder, outra série cocriada por  Slesinger  com colaboração do desenhista Fred Harman, devido a semelhança de Red Ryder com Bronc Peeler, outra criação de Harman, ambos tinham o mesmo sidekick, o jovem índio Little Beaver (Filhote de Castor no Brasil), contudo, havia uma diferença, Bronc Peeler era um "cowboy moderno" como o Vigilante da DC Comics e alguns dos filmes estrelados por Gene Autry.

Apesar dessas diferenças temporais, esses personagens eram constantemente confundidos no Brasil, a ponto de ambos serem publicados com o mesmo nome, Bronco Piler, o personagem também foi chamado de Cavaleiro Vermelho e Nevada, esse por sua vez era o nome de um personagem de Grey.



Conforme comentei em outras postagens, os quadrinhos americanos foram proibidos, primeiro na Itália, onde Flash Gordon foi desenhado por Guido Fantoni e depois na Bélgica, onde foi desenhado por Edgar P. Jacobs, coube a Joseph Gillain, mais conhecido Jijé (1914-1980), dar continuidade a Superman (chamado de Marc, Hercule moderne) e a Red Ryder (Cavalier Rouge), Jijé trabalhou com Superman entre 1939 e 1945 e Red Ryder em 1940.

Joseph Goebbels, ministro de propaganda do partido nazista acusava o Superman de ser judeu, o fato é que foi criado por dois judeus, em 1941, começaram a surgir personagens criados como resposta ao nazismo, como o Capitão América, também criado por judeus.


Paralelo a isso, Jijé trabalhava em Spirou, uma vez que Rob-Vel que havia sido convocado para a guerra, o artista retornaria em 1941, contudo, em 1943, a série seria comprada pela editora, que chamou novamente Jijé para trabalhar na série.


Jijé, inspirado em Milton Caniff, criou "escola de Marcinelle" ou "estilo atômico", um estilo que concorria com a linha clara de Hergé e Edgar P. Jacobs, Jijé teve que seguir o estilo de Shuster em Superman, que se assemelhava ao estilo cartunesco de Roy Crane, criador de Captain Easy, Soldier of Fortune (Capitão Cesar no Brasil), série de aventura que surgiu como a serie de humor, Wash Tubbs e Buz Swayer (Jim Gordon no Brasil).





Links

Joseph Gillain (Jijé) dans le journal de Spirou

Grandes personagens dos quadrinhos – Spirou e Fantasio

Quadrinhista belga ganha museu

Superman - Publication en France

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A importância da linha clara e do estilo atômico

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