sexta-feira, 12 de maio de 2017

O mangá da série Fundação de Isaac Asimov

Isaac Asimov (1919-1992)  foi um dos escritores de ficção científica mais prolíficos de todos os tempos, formado em bioquímica, também foi um conhecido divulgador científico.

Em 1939, começou a publicar em revistas pulps, histórias de robôs, que logo se tornariam conhecidas por causa das Três Leis da Robótica, criadas por ele e o editor John W. Campbell, em 1942,  iniciou uma nova série chamada Foundation (Fundação em português), inspirado no livro The History of the Decline and Fall of the Roman Empire (A História do Declínio e Queda do Império Romano) de Edward Gibbon.

Inicialmente, a série eram apenas oito contos publicados entre 1942 e 1950 na revista Astounding Magazine (antes chamada de Astounding Magazine e atualmente conhecida como Analog Science Fiction and Fact), na série, o matemático Hari Seldon cria a psico-história, um misto de matemática, sociologia e história para fazer previsões futuras.



Em 1950, Asimov publica seu primeiro romance completo, Pebble in the Sky (No Brasil: 827 Era Galáctica ou Pedra no Céu), iniciando uma nova série, a série Empire ou Galactic Empire (Império ou Império Galático), embora tendo sido publicado primeiro, esse romance seria o terceiro e último da série, os dois primeiros são: The Stars, Like Dust (1951) e The Currents of Space (1952), ao longo dos anos, Asimov iria unificar tanto a série Império, quanto a série Robôs como parte da série Fundação (bem como a inclusão das leis da robótica em sua série juvenil Lucky Starr).

"Pebble in the Sky" e "The Kingslayer" na revista  Two Complete Science-Adventure Books da Fiction House, capa de Allen Anderson

Em 1989, foi publicado o livro Foundation's Friends, uma antologia de contos escritos por outros autores de ficção científica como Ray Bradbury, Robert Silverberg (um antigo colaborador de Asimov), Frederik Pohl, Poul Anderson, Harry Turtledove, e Orson Scott Card.

Com a morte do escritor em 1992, outros autores foram autorizados a escrever novas histórias,  entre eles estavam, Greg Bear, Roger MacBride Allen, David Brin, Gregory Benford, Mark W. Tiedemann, Mark W. Tiedemann, Donald Kingsbury e Mickey Zucker Reichert.

Em 2014, foi noticiado que o canal por assinatura HBO está produzindo uma série baseada em Fundação.



O mangá

Em 2012, a editora Seldon Project (uma clara homenagem ao personagem da série) anunciou um mangá baseado em Fundação, seu nome é Ginga Teikoku Kouboushi (A História da Ascensão e Queda do Império Galático, um dos nomes da série no país). O mangá teve três volumes publicados entre 2013 e 2016, ilustrado por Uzuki e Kamazuki Keitarou.




                           




Também em 2012, o conto The Last Question ( A Última Pergunta no Brasil) teve uma quadrinização pelo coreano Ryul no formato webtoon, um formato coreano de webcomics.

Versão traduzida para o português

Ver também

Animes baseados em franquias ocidentais de ficção científica

Fontes e referências

Scientific American Brasil Exploradores do Futuro 3 - Isaac Asimov

Site oficial do mangá

Isaac Asimov’s ‘Foundation’ Series Manga Adaptation

Ginga Teikoku Kouboushi - Baka-Updates Manga

Isaac Asimov's The Foundation Sci-Fi Novels Get Manga

Guia de Leitura | O Universo de Isaac Asimov - O Vício

Eu, Asimov - A obra de Isaac Asimov em português



Isaac Asimov além da robótica!

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Os quadrinhos de Billy the Kid na revista britânica The Sun

Billy the Kid (1859 - 1881) foi um fora da lei do Velho Oeste, nascido Henry McCarty, também foi conhecido como William H. Bonney, Henry Antrim e Kid Antrim, tal como diversas figuras do Velho Oeste americano, existem várias lendas sobre Billy the Kid, uma delas que teria matado um homem para cada ano de vida. Billy foi retratado diversas versas no cinema, quadrinhos entre outras mídias, podendo ser mostrado como bandido ou como um herói. Algo que aconteceu com o fictício Cisco Kid, criado pelo escritor O' Henry.

Esse é o caso dessa versão em quadrinhos, publicada entre 1952 e 1959 na revista The Sun da Amalgam Press, com roteiros de  Mike Butterworth e desenhos de Geoff Campion, Don Lawrence (conhecido por ilustrar a série de fantasia científica Storm), Harry Bishop e Alejandro Blasco (irmão de Jesús Blasco, criador do herói juvenil Cuto).

Inicialmente, essa versão de Billy the Kid lembra muito o cowboy Lone Ranger, a série tinha o subtítulo Lone Avenger. Billy era um cowboy mascarado cujo verdadeiro nome era Will Boney, o grito de Lone Ranger era "Hi-yo Silver, away!", já o de Billy era "Yip! Yip! Hi-Yo!".


Curiosamente, Lone Avenger foi um cowboy mascarado dos quadrinhos australianos. Com o tempo, deixou de ser mascarado, a roupa também mudou de cor, de vermelha para azul.




Em 1959, a Amalgam Press foi comprada pelo Mirror Group, tornando Fleetway Publications, já com esse nome, o personagem voltou a ter quadrinhos na editora em 1961, desta vez na revista Cowboy Comics Library, com desenhos de Renzo Calegari, Albeto Breccia e outros. O brasileiro João Batista Mottini chegou a ilustrar histórias do ator-cowboy Buck Jones, em começo de carreira, o escritor Michael Moorcock chegou a roteirizar histórias de faroeste para a editora.

A história escolhida para ilustrar a postagem foi publicada na edição 185 da revista de The Sun (agosto de 1952), o artista não foi creditado, a história mostra notável influência de outro mascarado, o Zorro, a fonte é o site Comic Book Plus, que hospeda quadrinhos em domínio público dos Estados Unidos e quadrinhos de outros países (sendo eles de domínio público ou não).









Referências e links úteis



Billy the Kid - Noble Bandits

Billy the Kid - UK Comics


Billy the Kid (UK Sun) Archives - Comic Book Plus

Sun - Comic Vine

Billy the Kid - Public Domain Super Heroes Wikia

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Os quadrinhos franco-belgas de Lucky Starr, série juvenil de Isaac Asimov

Em 1951, o agente literário e escritor Frederik Pohl e o editor Walter Bradbury procuraram Isaac Asimov e sugeriram que ele criasse uma série infanto-juvenil para ser adaptada para a televisão, temendo ficar marcado por essa série, o escritor resolveu usar o pseudônimo Paul French (Paul francês em português), a série foi inspirada em Lone Ranger e o primeiro livro lançado no ano seguinte com o título David Starr, Space Ranger (As Cavernas de Marte no Brasil) pela Doubleday, em 1953, lançou Lucky Starr and the Pirates of the Asteroids, contudo, a série de TV nunca foi lançada, uma vez que em 1954 surgia a série de TV  Rocky Jones, Space Ranger, que inviabilizou o projeto.



Revista em quadrinhos de Rocky Jones publicada pela editora americana Charlton


O primeiro romance foi uma espécie de space western ou faroeste espacial, sendo inspirado no Lone Ranger, o personagem David Starr (cujo apelido era Lucky) usava inclusive uma máscara e era conhecido como Space Ranger, o romance foi ambientado em Marte, embora fosse uma obra juvenil, a descrição do planeta Vermelho foi bastante acurada com o que dizia a ciência da época. Lançado em Lucky Starr and the Pirates of the Asteroids (No Brasil: Vigilante das Estrelas), a série muda o foco de faroeste espacial para espionagem, influenciada pelos eventos da Guerra Fria. o autor escreveu outros romances Lucky Starr and the Oceans of Venus (1954) ,Lucky Starr and the Big Sun of Mercury (1956), Lucky Starr and the Moons of Jupiter (1957) e Lucky Starr and the Rings of Saturn (1958).





Em Lucky Starr and the Big Sun of Mercury, Asimov usou as suas famosas Leis da Robótica, embora tenha assumido a autoria, todos os romances foram publicados com o pseudônimo Paul Fench, a série foi uma das obras que apareceram artefatos parecidos com os sabres de luz de Star Wars.

Conforme mencionei anteriormente, a chamada Era de Prata dos quadrinhos americanos começou quando Julius Schwartz, editor da DC Comics, que também foi agente literário e editor de revistas pulps, sugeriu que fossem criados heróis baseados em ficção científica, em Showcase # 15 (Julho de 1958) foi lançado o herói Space Ranger (cuja identidade civil era Rick Starr), criado pelos roteiristas Edmond Hamilton e Gardner Fox (ambos também escritores de revistas pulp) e o desenhista Bob Brown.




Em, 1958, foi lançada a revista francesa em formatinho Sidéral da editora Artima, que publicava as histórias espaciais da DC Comics, incluindo o Rick Starr, o Space Ranger da editora, a primeira versão da revista foi cancelada em 1962. Em 1968, a editora lança uma nova versão da revista na coleção Comics Pocket (quadrinhos de bolso em inglês, publicados no formato 13 x 18 cm), a série publicou quadrinizações de romances de escritores de fc como Richard Bessiere, Jimmy Guieu, J. G. Vandel, Vargo Statten e Arthur C. Clarke, na edição 46, publicada em 1975, a revista trouxe uma quadrinização do primeiro romance, David Starr, Space Ranger com o nome de  Sur la Planère Rouge, o texto original é creditado Paul French,o ilustrador não foi creditado, mas acredita-se que os desenhos sejam Raoul Giordan, Giordan havia  produzido outras adaptações e era conhecido por ilustrar outra revista de histórias espaciais da editora, Meteor, publicada entre 1953 e 1962, que ao lado de Les Pionniers de l'Espérance, é considerada uma das maiores séries de ficção científica da França.

;A adaptação foi republicada em álbum da coleção Comics Pocket n° 3227 e em 1980 em Collection Meteor  2 pelo selo Arédit.










Em 1991, foi lançada  uma adaptação de Lucky Starr and the Oceans of Venus com o título Lucky Starr Les océans de Vénus, produzida por Fernando Fernandez e lançada pela editora Vaisseau d'Argent, o nome de Asimov não é mencionado.





Por fim, em 1992, a editora belga Claude Lefrancq publica outra adaptação do primeiro romance, agora com o título Les Poisons de Mars, escrita por Jacques Stoquart e desenhada por E. Loutte, a editora publicou o álbum em duas versões com capas diferentes.






Fontes e referências

Scientific American Brasil Exploradores do Futuro 3 - Isaac Asimov

Lucky Starr series

Meteor (périodique)


Sidéral (revue)


Sideral - Grand Comic Database

Sidéral (1re série) - Bedetheque


Sidéral (2re série) - Bedetheque

Raoul GIORDAN et Les Comics Pocket Sideral

Artima -l'âge d'or des RC

Lucky Starr - Cool French Comics
Star Wars Origins - Lightsabers

Raoul Giordan : décès d’un pionnier de la BD de SF !

Lucky Starr Les océans de Vénus - Bedetheque

Poisons de Mars - Bedetheque

Isaac Asimov en Bandes Dessinees

Les Poisons de Mars - 1952

Artima:quelques couvertures "martiennes"

Eric Loutte

Lightsabers

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Blade por Takashi Okazaki


Em 2004, foi lançado o filme Blade: Trinity pela New Line Cinema, trata-se do último filme de uma trilogia do personagem Blade, o caçador de vampiro da Marvel, estrelados pelo ator Wesley Snipes entre 1998 e 2004. no mesmo ano, foi lançado a trilha sonora do filme, uma versão deluxe trouxe como brinde um mangá por Takashi Okazaki, criador do mangá Afro Samurai, lançado em 1998 no dōjinshi Nou Nou Hau. Afro Samurai ganhou um anime dublado por Samuel L. Jackson, que também foi um dos produtores do anime.


Tanto Blade, quando Afro Samurai foram inspirados nos filmes blaxploitation, filmes criados por negros para negros.




Em 2012, Okazaki foi um dos character designers do anime dos X-Men, produzido pela Madhouse, a produtora também produziu uma série do Blade, sem participação do artista.



Referências e links úteis




Blade: Trinity Soundtrack Hits Hard
Takashi Okazaki
A Tumba de Dracula, Tom Field
Blaxploitation And Pop Culture








































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































sábado, 11 de fevereiro de 2017

Superman por Jijé




Em abri de 1938, a editora belga Dupuis lançou a revista Le Journal de Spirou, a série principal era Spirou, personagem criado por Rob-Vel, publicando também séries americanas de Dick Tracy de Chester Gould, Rei da Polícia Montada, ilustrada por Allen Dean, com roteiros de Stephen Slesinger e Romer  Grey, filho do escritor de faroeste Zane Grey, Slesinger havia conseguido a licença para usar o nome do escritor, dando impressão de ser uma criação do mesmo.

Em 1939, a editora começou a publicar Superman por Jerry Siegel e Joe Shuster e Red Ryder, outra série cocriada por  Slesinger  com colaboração do desenhista Fred Harman, devido a semelhança de Red Ryder com Bronc Peeler, outra criação de Harman, ambos tinham o mesmo sidekick, o jovem índio Little Beaver (Filhote de Castor no Brasil), contudo, havia uma diferença, Bronc Peeler era um "cowboy moderno" como o Vigilante da DC Comics e alguns dos filmes estrelados por Gene Autry.

Apesar dessas diferenças temporais, esses personagens eram constantemente confundidos no Brasil, a ponto de ambos serem publicados com o mesmo nome, Bronco Piler, o personagem também foi chamado de Cavaleiro Vermelho e Nevada, esse por sua vez era o nome de um personagem de Grey.



Conforme comentei em outras postagens, os quadrinhos americanos foram proibidos, primeiro na Itália, onde Flash Gordon foi desenhado por Guido Fantoni e depois na Bélgica, onde foi desenhado por Edgar P. Jacobs, coube a Joseph Gillain, mais conhecido Jijé (1914-1980), dar continuidade a Superman (chamado de Marc, Hercule moderne) e a Red Ryder (Cavalier Rouge), Jijé trabalhou com Superman entre 1939 e 1945 e Red Ryder em 1940.

Joseph Goebbels, ministro de propaganda do partido nazista acusava o Superman de ser judeu, o fato é que foi criado por dois judeus, em 1941, começaram a surgir personagens criados como resposta ao nazismo, como o Capitão América, também criado por judeus.


Paralelo a isso, Jijé trabalhava em Spirou, uma vez que Rob-Vel que havia sido convocado para a guerra, o artista retornaria em 1941, contudo, em 1943, a série seria comprada pela editora, que chamou novamente Jijé para trabalhar na série.


Jijé, inspirado em Milton Caniff, criou "escola de Marcinelle" ou "estilo atômico", um estilo que concorria com a linha clara de Hergé e Edgar P. Jacobs, Jijé teve que seguir o estilo de Shuster em Superman, que se assemelhava ao estilo cartunesco de Roy Crane, criador de Captain Easy, Soldier of Fortune (Capitão Cesar no Brasil), série de aventura que surgiu como a serie de humor, Wash Tubbs e Buz Swayer (Jim Gordon no Brasil).





Links

Joseph Gillain (Jijé) dans le journal de Spirou

Grandes personagens dos quadrinhos – Spirou e Fantasio

Quadrinhista belga ganha museu

Superman - Publication en France

Matérias sobre Spirou no site Tu Já Viu


A importância da linha clara e do estilo atômico

Revista Spirou celebra 75 anos

Exposição “Centenário De Jijé – Mestre De Banda Desenhada”, De 29 De Maio A 11 De Julho, na Bedeteca da Amadora

French Collection #27

Joe Shuster

Gringos Locos

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Betty Boop por Shigeru Sugiura


Criada por Max Fleischer e Grim Natvick, Betty Boop surgiu em animações em 1930 na série Talkartoon do Fleischer Studios.

 Betty foi muito popular no Japão e aparecia em cartões menko e mangás, obviamente não oficiais, é o caso dessa página por Shigeru Sugiura de 1935, o sucesso da personagem chegou aos ouvidos do estúdio, foi quando produziram o curta A Language All My Own, onde Betty viaja ao Japão e vestida com um kimono, canta uma canção em japonês.







Em diversos livros é dito que Betty Boop teria inspirado os olhos grandes dos personagens dos mangás, a comparação mais comum é de Betty com a Princesa Safiri, personagem de Osamu Tezuka, contudo, contudo, Sugiura foi assistente de Suihō Tagawa, autor do gato Norakuro (1931-1981), personagem já que possuía olhos grandes.


Tezuka nunca declarou ser fã da personagem, mas era fã do Popeye, personagem das tiras de E. C. Segar que estreou nos cinemas em um curta de Betty Boop produzido em 1933 pelo Fleischer Studios, um outro dado é que Grim Natvick, cocriador de Betty, trabalhou no filme Branca de Neve e os Sete Anões da Disney, nos primeiros concepts, a personagem lembrava Betty, que inclusive havia estrelado um curta como Branca de Neve em 1933, Tezuka era fã da Disney e ilustrou um mangá da Branca de Neve nitidamente influenciado pelo estúdio.


Em 1985, Tezuka produziu o curta Broken Down Film, que tinha um personagem com um corte de cabelo parecido com de Safiri.








Branca de Neve por Natvick

Branca de Neve por Tezuka





Em 2002 foi lançado o livro Collection of Betty Boop Made in Japan de Takashi Yasuno.



Model sheets

Fontes e referências


A época clássica do desenho animado americano

The Bottom of a Bottomless Barrel: Introducing Akahon Manga

Betty Boop in Japan

Betty Boop Parodies & References

Mizuki Shigeru's Manga Surreality

Revealed: Pouting Snow White who looked like Betty Boop

Sugiura Shigeru’s Sense of Humor

Max Fleischer - Lambiek

Shigeru Sugira - Lambiek

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Mickey Mouse por Guglielmo Guastaveglia


Como se sabe, a Itália é a maior produtora de quadrinhos Disney pelo mundo, contudo, as primeiras histórias produzidas no país não eram oficiais, as tiras originais estrearam em março de 1930 no Illustrazione del popolo , um suplemento do jornal Gazzetta del Popolo, entre abril e agosto de 1931, o jornal Il Popolo di Roma publicou pranchas de Mickey Mouse por Guglielmo Guastaveglia. Guastaveglia fez crossovers do Mickey e Minnie (chamados de Topolino e Topolina, topolino é um nome dado ao rato doméstico ou camundongo) com Gato Félix (Mio Miao) e usou Kat Nipp (Gatto Nipp), um vilão dos primeiros curtas do Mickey que era usado nas tiras por Floyd Gottfredson, o nome é alusão a catnip, erva do gato, o personagem lembra as primeiras versões de  Peg Le Pete (Bafo no Brasil), porém, Pete estreou em Alice Solves the Puzzle de 1925 da série  Alice Comedies (ou seja três anos antes do próprio Mickey), Kat Nipp estreou num curta do Mickey, The Opry House de 1929.


Mickey contracenando com Minnie, Félix e Kat Nipp

Kat Nipp por Floyd Gottfredson





Possivelmente por problemas com direitos autorais (Félix atualmente pertence a Dreamworks Classics, uma empresa do grupo NBCUniversal), consideram Mio Mao como sendo Julius, um gato parecido com Félix que estreou nos curta da série Little Red Riding Hood de 1922 da série Alice Comedies, sendo um inimigo de Pete, no encadernado Walt Disney's Mickey and the Gang publicado pela Gemstone em 2005, o gato aparece na cor verde. Julius não é o único que se parece com Félix, Ortensia e seu irmão Homer também guardam semelhanças com o gato criado por Otto Mesmer e Pat Sullivan, Ortensia (chamada de Sadie nos projetos originais) era namorada de Oswald the Lucky Rabbit (Coelho Osvaldo), Oswald foi criado em 1927 por Walt Disney e Ub Iweks, contudo, a dupla acabaria perdendo os direitos para a Universal no ano seguinte, sendo até produzido por Walter Lantz, após um tempo, Oswald sofreu um redesign pela equipe de Lantz, Ortensia chegou a ser usada pela Universal, mas foi  chamada de Fanny, nome de uma namorada anterior de Oswald, que também era uma coelha, A dupla teve que criar um novo personagem, surgiu então Mckey Mouse, Homer chegou a aparecer no curta Mickey's Orphans e em tiras de jornal por Floyd Gottfredson, as primeiras tiras do Mickey foram desenhadas por Ub Iwerks com roteiros do próprio Walt Disney, no mesmo ano, após sair do estúdio e fundar uma própria companhia, foi substituído por Win Smith, que também ficou por um curto período,   Gottfredson, ficou de 1930 até 1975 desenhando o personagem. Em 1999, a Universal fez uma nova série do Pica-Pau, o visual antigo Oswald foi usado em licenciamento, mas não apareceu na série de TV, mas chegou a aparecer em quadrinhos. Em 2006, Oswald volta para a Disney, após um acordo pelo contrato do locutor esportivo Al Michaels, que saaiu do ABC Sports da Disney, para o NBC Sports da  NBCUniversal.

Julius em Alice Gets Stung (1925)
                                 

Ortensia

Voltando a Itália, os quadrinhos de Mickey voltariam a ter produção em 1932, com o lançamento da revista Topolino da editora Nerbini, com pranchas por Giove Toppi, contudo, a licença da editora foi considera invalida, a solução foi mudar o nome para Topo Lino na terceira edição, com rato de mesmo nome desenhado por Toppi, na sexta edição, Mickey volta a aparecer no título e na seguinte, publica tiras de Gottfredson e locais por Angelo Burattini e Gaetano Vittelli, em 1935, a revista passa a ser publicada pela Mondadori, em 1942, por conta da proibição do regime fascista (que como disse anteriormente, havia proibido a importação de Flash Gordon em 1938) a editora teve que trocar o personagem por Tuffolino, um humano que parecia com o Mickey por Federico Pedrocchi (roteirista de Saturno contro la Terra) e Pier Lorenzo De Vita (que ilustrou Saturnin Farandol, também roteirizado por Pedrocchi, publicado na revista entre 1938 e 1940), a revista publicou outros materiais e foi cancelada em 1943, voltando com a ser publicada em 1945, com o fim da Segunda Guerra, pode publicar os personagens Disney, em 1949, a Monadori cancela a revista no formato tabloide e relança com um novo formato, com a escassez de papel, a editora optou por publicar no mesmo formato da revista Reader's Digest, que também foi publicada pela editora, o formato é conhecido como "digest size, para fins de registro as duas são divididas em "Topolino giornale e Topolino libreto.

No Brasil foi introduzido na revista O Pato Donald #22 (1952), sendo conhecido como formato pato e logo depois como formatinho.






Links


Il Gatto Nip di Guasataveglia


Il Popolo di Roma - Inducks


Gioave Topp - Papersera


Mio Miao/Julius- Inducks

Topolino (giornale) - Inducks

Topolino (libreto)- Inducks

Homer - Inducks

Julius the Cat - Wikipedia

Guglielmo Guastaveglia - Lambiek

Inkblot Cartoon Style - Tv Tropes


Zé Carioca e as lendas urbanas


80 anos de quadrinhos Disney
Gato Félix, Carlito, Mickey, O Gordo e o Magro por J. Carlos


domingo, 15 de janeiro de 2017

Os quadrinhos mexicanos de Conan


Conan, o bárbaro é o personagem de uma série literária criada pelo escritor americano Robert E. Howard e publicado entre 1932 e 1936 na revista pulp Wierd Tales, como se sabe, em 1970, a Marvel inciou a publicação de uma adaptação em quadrinhos, com roteiros de Roy Thomas e desenhos de Barry Windsor-Smith,, John Buscema, Ernie Chan, Alfredo Alcala, entre outros, o que pouca gente sabe, é que o personagem havia tido quadrinhos não-oficiais no México nas décadas de 1950 e 1960.


Em 1952, a revista Contos de Abuelito (uma revista no formato 14 x 11 e em preto e branco) iniciou em sua oitava edição, uma quadrinização do conto Queen of Black Coast, escrita por  Loa Rodriguez e Victor Rodriguez com desenhos de Salvador Hermoso Lavalle e capa de Hecky (Héctor Gutiérrez),  adaptação foi publicada até a edição 12, na edição 14, a revista continuou a publicar a história. a série foi publicada junto com a séries Kunga la diosa de oro (uma garota das selvas parecida com a Sheena) e La Aranhã (baseada no personagem dos pulps) até a penúltima edição (#60), publicada em 1953.

Em 1958, a série retorna em revista solo pela Ediciones Mexicanas Asocidas, a revista é publicada até o ano seguinte e dura 11 edições, entre 1965 e 1966, é publicada pela Ediciones Joma, totalizando 53 edições.



A série tomava algumas liberdades na história e na retratação dos personagens, Conan por exemplo é loiro e usa um capacete com chifres (um ornamente erroneamente associado com os vikings graças a ópera O Anel de Nibelungo). Na história, Conan é um mero coadjuvante, a personagem principal é Bêlit, a rainha pirata do título, o protagonismo de Bêlit na série antecede a criação da personagem Red Sonja, que ao contrário do que muitos pensam, não foi criada por Robert E. Howard, a criação da personagem é creditada a Roy Thomas e Barry Windsor Smith, vagamente baseada em Red Sonya of Rogantino, personagem do conto Shadow of Vulture de Howard, que se passa no século XVI, nos pulps, o pioneirismo é atribuído a Jirel of Joiry, personagem da escritora C. L. Moore.


Adaptação de O anel de Nibelungo publicada na revista O Tico-Tico#2033 (abril de 1955), autor não-creditado.

Embora seja anterior a série da Marvel, La reina de la Costa Negra não é a primeira HQ do gênero sword and sorcery (espada e feitiçaria ou espada e magia), uma série apontada como pioneira é a conanesca Crom the Barbarian de Gardner Fox, lançada em 1950 pela editora Avon Comics, Fox pegou o nome da divindade criada por Howard e adicionou no seu bárbaro, a série foi publicada em Out of This World #1-2 e Strange Worlds #1-2, contudo, há quem diga que séries anteriores já possuíam elementos que podem ser associados com o gênero, como Príncipe Valente de Hal Foster, Fox escreveu para a revista Weird Tales nos anos 70 e contribuiu com o gênero nos anos seguintes, entre 969 e 1970, publicou a série do bárbaro Kothar, uma história de Kothar, Kothar and the Conjurer's Curse, foi adaptada como HQ de Conan em Conan the Barbarian #46 (1975), escrita por Roy Thomas com desenhos de John Buscema, Joe Sinnott, Dan Adkins e Dick Giordano, na Marvel, Fox também é creditado em uma história de Thongor of Lemuria publicada nas edições 2 e 27 da revista Creatures on the Loose (1973-1974). Thongor foi outro bárbaro conanesco (com elementos de John Carter de Marte) criado por Lin Carter em 1966, posteriormente, Carter e L. Sprague de Camp (que adquiriu os direitos da franquia) daria continuidade as histórias de Conan nos livros da Ace Books, curiosamente, Roy Thomas chegou a cogitar publicar Thongor ao invés de Conan, Thongor acabou sendo publicado após o sucesso de Conan. a revista  ainda publicou Kull of Atlantis (que originalmente era um protótipo de Conan, tornando-se um ancestral) e Gullivar Jones, um personagem que antecede John Carter no gênero sword and planet, John Carter seria publicado pela editora em 1977, após conseguir a licença de Tarzan, a editora pode explorar também outras criações de Burroughs. outras séries Fox no gênero são Kyrik (1975) e Niall of the Far Travels (1976-1981) para a revista Dragon da TSR, a  mesma que lançou o RPG de mesa Dungeons and Dragons,não por acaso, as histórias de Howard, Fox, Lin Carter, Burroughs, de Camp, entre outros escritores de fantasia e ficção científica foram citadas por Gary Gygax  (cocriador de D&D) como influências na criação do jogo, na década de 1980, a TSR publicou adaptações de Conan e Red Sonja graças aos filmes.


Em 2014, a Boardman Books publicou Lurid Little Nightmare Makers #2, editada por Matthew Gore, teve histórias de Crom, capas de La Reina de la Costa Negra, contos de Konar the Macedonian (série de contos ilustrados ou text stories publicados pela Quality Comics em 1938), atualmente essas histórias encontram-se em domínio público.



Links

A Rainha da Costa Negra (traduzida)


A Reader's Guide to Sword & Sorcery Comics


A Reader's Guide to Sword & Sorcery D-F


Crom The Barbarian: The First True S&S Comic

Conan [MEX]

Crom, The Barbarian - Public Domain Super Heroes

La Reina de La Costa Negra - Tebeosfera

Thongor - Appendix to the Handbook of the Marvel Universe

Lurid Little Nightmare Makers: Volume Two: Comics from the Golden Age Paperback – May 15, 2014


If You Blinked You Missed: Thongor, Warrior of Lost Lemuria


Conan the Barbarian: First Time in Comic-Book Form!

Lurid Little Nightmare Makers #2 [2nd printing]

A trajetória da imagem de “Conan, o Bárbaro” em mídias diversas: da literatura pulp até os quadrinhos Marvel dos anos 70

Por Crom! Conheça o verdadeiro Conan da Ciméria

Konar the Macedonian

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Flash Gordon por Guido Fantoni



Conforme falei em outro post, a Alemanha nazista dominou a Bélgica e impediu a importação de quadrinhos americanos, dentre eles Flash Gordon de Alex Raymond, que teve histórias por Edgar P. Jacobs, contudo, isso já tinha acontecido na Itália fascista de Mussolini, em  1938, Guido Fantoni teve que ilustrar uma história de Flash Gordon (chamado de Gordon Flasce) na revista da L'Avventuroso, publicada pela Casa Editrici Nerbini.


Uma lenda urbana afirmava que Federico Fellini (1920-1993) havia roteirizado as histórias com desenhos de Giove Toppi, contudo,  isso foi desmentido por Leonardo Gori, que identificou Fantoni como o autor dos desenhos, Fantoni também havia ilustrado história dois outros heróis da King Features Syndicate: Mandrake e Fantasma, ambos criados por Lee Falk.


Para Gori, os roteiros eram diferentes dos outros trabalhos de Fellini, fã de quadrinhos, Fellini havia trabalhado com cartuns e quadrinhos antes da Segunda Guerra, ele também colaborava com roteiros de rádio e cinema, com o fim da Guerra, passou a trabalhar exclusivamente com cinema, contudo, manteve a influência dos quadrinhos em seus trabalhos, tendo inclusive elaborado storyboards de seus filmes, storyboard é um tipo de arte sequencial usada como guia para as cenas de filmes, muitos quadrinistas acabam trabalhando com storyboard por conta da experiência em quadrinhos. O produtor Dino De Laurentiis chegou a convidar Fellini para dirigir a adaptação de Flash Gordon, mas Fellini recusou, embora fosse um fã de quadrinhos, o cineasta não gostava de adaptações para outras mídias. Fellini voltaria a trabalhar com quadrinhos em parceria com Milo Manara, que produziu duas HQs baseadas em roteiros nunca filmados: Viaggio a Tulun, publicada em 1989 na revista Corto Maltese, baseado em um roteiro de Fellini publicado em seis partes no jornal italiano Corriere della Sera, e "Il viaggio di G. Mastorna", publicada em 1992 na revista Il Grifo, esse último foi produzido através de rafes ou breakdowns, uma espécie de storyboard usado pelos desenhistas para seguir exatamente o que roteirista gostaria de usar na história, mantendo a narrativa elaborada pelo mesmo.


O sucesso da série fez com que a Arnoldo Mondadori Editore, editora que assumiu a revista Topolino (revista do Mickey Mouse)  em 1935 (revista lançada originalmente pela Nerbini em 1932) encomendasse a série Saturno contro la Terra (1936-1946), escrita por Federico Pedrocchi e ilustrada por Giovanni Scolari.


Links

Guido Fantoni - Lambiek

Comic Book Legends Revealed #403

Milo Manara & Federico Fellini: Stories Without End

Desenhos de Fellini ganham animaçao em curta
75 anni fa L'Avventuroso


The Weirdest Things You Never Knew About the Making Of Flash Gordon


Federico Fellini - Lambiek

sábado, 7 de janeiro de 2017

Captain Marvel, Jr. por Uderzo


Conforme comentei na última postagem, Flash Gordon teve uma história produzida por Edgar P. Jacobs para a revista belga Bravo em 1942, em  1950, a mesma revista faria o mesmo com o Capitão Marvel Jr. pelo francês Albert Uderzo, não se sabe ao certo o motivo, uma vez que a Segunda Guerra Mundial acabou em 1945 e a Bélgica não estava mais em poder dos nazistas, Uderzo ilustrou 26 páginas publicadas semanalmente no jornal, que foi encerrado em 1951. O Capitão Marvel, Jr. foi criado por France Herron e Mac Raboy, em 1946, Raboy se tornou ilustrador de Flash Gordon. A Família Marvel foi bastante popular durante a Era de Ouro, sendo os principais concorrentes de Superman e cia, os personagens foram descontinuados em 1953 por um processo movido pela National (atual DC), que alegava que o conceito do Capitão Marvel era cópia do Superman, no Brasil, os personagens continuaram tendo histórias locais nas revistas publicadas no jornal O Globo e RGE, no Reino Unido, Mick Anglo foi contrato para criar personagens substitutos, surgia então, o Marvelman, que também integrava uma família, curiosamente, a RGE publicaria Marvelman com nome de Jack Marvel junto com a Família Marvel.

Em 1951, Uderzo conheceria René Goscinny, em 1958, a dupla começou a publicar Oumpah-Pah na revista belga Tintin, no ano seguinte, lançam sua série mais famosa, Astérix na revista francesa Pilote, embora tenha um estilo cartunesco, Uderzo não é considerado um expoente da linha clara desenvolvida por Hergé, seu estilo funcionou na série, uma vez C.C. Beck, cocriador do Capitão Marvel (atualmente conhecido como Shazam) também possuía um estilo cartunesco, sendo comparado a Hergé. Outro artista cartunesco muito influente foi o americano Milton Caniff de Terry e os Piratas, que influenciou o artista belga Jijé, artista que criou a chamada "escola de Marcinelle" ou "estilo atômico", um estilo que concorria com a linha clara. Curiosamente, por causa da proibição dos nazistas, Jijé desenhou Superman, seguindo o estilo e Joe Shuster.

Prancha original de Albert Uderzo

Model sheet por Mac Raboy

Capitão Marvel e C.C. Beck pelo próprio C.C. Beck





Links

Bravo!

Capitaine Marvel Jr - Comic Book Plus (scans)
Os super-heróis de Uderzo

Prancha original

Outra prancha original

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Flash Gordon por Edgar P. Jacobs


Em 1942, com a ocupação da Bélgica pelos nazistas, a publicação das pranchas dominicais de Flash Gordon (chamado de Gordon l'Intrepide) de Alex Raymond foi interrompida na revista Bravo, a solução adotada pelo periódico foi encomendar o termino da história para Edgar P. Jacobs (1904-1987), Jacobs fez apenas cinco pranchas, quando pararam de publicar a série. Anos antes, em 1938, isso havia acontecido na Itália fascista, onde Guido Fantoni ilustrou histórias de Flash Gordon, Fantasma e Mandrake.

Curiosamente, Jijé também ilustrou Superman para a revista Spirou pela mesma razão.

No ano seguinte, iniciou uma nova série Le Rayon U, nitidamente inspirada em Flash Gordon, com personagem bastante parecidos fisicamente com os da série americana  (tal qual aconteceu com a história brasileira do Mandrake), mas como uma trama diferente, mostrando uma expedição científica em busca de um mineral raro por habitantes de um planeta distante, basta lembrar que George Lucas criou Star Wars depois de não pode dirigir um filme sobre Flash Gordon. Posteriormente, Jacobs trabalharia com Hergé em Tintin, adotando o estilo "linha clara", cuja criação é atribuída a Hergé, que teve George McManus de Bringing Up Father/Pafúncio e Marocas como uma de suas inspirações. Em 1946, Jacobs criou sua série mais famosa, Blake et Mortimer para a revista Tintin.








Links

Desenhos animados do gênero sword and planet - parte 1

Bravo!

Le tre vite di Bravo


Blake y Mortimer:La edad de oro de la línea clara

A corrida ao urádio

O raio U: uma história de todas as aventuras

Reused Character Design - TV Tropes